sexta-feira, 12 de novembro de 2010

INTERPRETAÇÃO BÍBLICA PASSO A PASSO - ANÁLISE DA ESTRUTURA INTERNA DO TEXTO / ANÁLISE DAS FORMAS

O tema de hoje é análise da estrutura interna do texto, ou a análise das formas. Enquanto no item anterior foi dito que a crítica textual é um passo metodológico opcional, agora devemos começar dizendo que este é um passo obrigatório, para o qual eu costume dedicar bastante tempo. Entendo que uma boa tradução e uma boa análise das formas já nos dão uma exegese bem desenvolvida, mas esse método de análise não é nada fácil. Primeiro porque não costumamos ouvir ninguém falar do assunto, e mesmo os livros costumam ser insuficientes para o estudo das formas. Segundo porque cada texto possui uma forma particular, e saber analisar os profetas não significa saber analisar Atos dos Apóstolos, isso pelas enormes diferenças entre os gêneros literários. Então, tentando ser breve, fornecerei aqui definições simples, para uma primeira análise das formas.

Para falar da estrutura interna do texto de maneira simples, eu diria que o principal objetivo deste passo metodológico é identificar as divisões naturais de um texto. Quero dizer que quando escrevemos, seguimos de maneira involuntária. Quando paramos de falar para respirar, criamos no discurso uma lacuna que textualmente é expressa por vírgulas ou pontos; quando mudamos de assunto temos que mudar de parágrafos, ou mesmo de capítulo, e quando incluímos explicações geralmente usamos parênteses. Ou seja, os sinais de acentuação servem para demarcar no texto as subdivisões que já existem em nossa fala.

O problema da Bíblia é que no tempo em que foi escrita não existiam esses sinais, e todas as vírgulas, pontos, parágrafos, capítulos ou versículos, foram inventados posteriormente para facilitar nossa leitura, porém, são interpretações do texto que nem sempre nos ajudam. Nossa tarefa então constituir-se-á dos seguintes momentos: 1) temos que ler o texto novamente separando frase por frase; 2) depois tentamos entender as relações entre cada uma das frases que foram separadas, onde notaremos que há frases que dão continuidade à anterior, frases que só repetem a anterior noutras palavras, e frases que mudam o assunto; 3) entendida a relação entre as frases, podemos dar nome a elas para entender a estrutura do texto, ou seja, onde está sua introdução, sua conclusão, a exposição do tema, as exemplificações etc; 4) finalmente, sugiro que construamos um gráfico que traduza o texto e exponha aos nossos olhos de maneira mais clara cada umas seções que formam esta perícope.

Parece difícil? Mas essa tarefa é muito intuitiva e basta ler o texto com atenção para que a realizemos. Lembre-se que o objetivo é só identificar as divisões naturais da fala e do pensamento humano. Existem sim estruturas textuais elaboradas, pensadas por autores hábeis, construídas como verdadeiros quebra-cabeças, mas como introdução, procuro ajudar os estudantes a encontrar apenas aquelas estruturas básicas do discurso humano, o que é suficiente para analisar a grande maioria dos textos bíblicos.

Um comentário:

m.brant disse...

Mais uma vez ABençoado Anderson o texto orientativo em elaborarmos uma análise da estrutura interna do texto é encorajadora para nós leigos...
Grato,
brant