segunda-feira, 15 de março de 2010

PAULO ENFRENTA PEDRO E TIAGO: REFLEXÕES SOBRE GÁLATAS 2.11-14

1 – RELATOS PESSOAIS COM PROPÓSITOS PRÁTICOS

(11) Ora, quando Cefas veio para Antioquia, em face a ele me opus porque era condenável. (12) Pois antes de vir alguns de Tiago comia com os gentios, mas quando vieram recuava e se separava temendo os da circuncisão. (13) E também foram levados pela sua hipocrisia[1] os demais judeus, tanto que também Barnabé foi levado pela hipocrisia deles. (14)Mas quando vi que não postam-se retamente segundo a verdade do evangelho, eu disse a Céfas diante de todos: ‘se tu sendo judeu vives gentílico e não judaico, como compeles os gentios (a) judaizar?’”

Os exegetas em geral concordam que Gálatas é uma carta escrita pelo apóstolo Paulo lá pela primeira metade dos anos 50 d.C.,[2] e que o tema que lhe motiva é a tentiva por parte de alguns judeus de impor regulamentos religiosos judaicos sobre o modo de vida de cristãos gentios.[3] Paulo escreveu porque queria defender a liberdade dos gentios da Galácia, queria que continuassem a crer em Jesus Cristo sem qualquer dependência em relação à origem judaica deste evangelho; mas os “judeus” que haviam chegado à Galácia ensinaram os cristãos gentios que era-lhes necessário seguir a Lei judaica, isto é “judaizar-se”.

O texto que lemos acima enquadra-se neste embate, é um recurso sacado pelo apóstolo Paulo para convencer seus destinatários à distância de que não era-lhes necessário submeter-se a esses judeus. Ao narrar eventos do seu passado, como seu enfrentamento a Pedro, Paulo não buscava criar uma auto-biografia para a posteridade, nem tampouco queria informar-nos sobre momentos importantes de sua vida pessoal; o objetivo da carta é convencer, ensinar, forçar decisões... Assim, a narrativa não é necessariamente uma biografia historicamente confiável, antes, seleciona fatos que lhe parecem relevantes e ignora outros, além de descrever ações alheias sob seu próprio e ponto de vista. Ela também não é imparcial, mas cheia de intencionalidades, e podemos tranquilamente desconfiar das descrições que Paulo faz dos personagens.

Com essa atitude sóbria, partiremos para nossa exegese, procurando compreender cada detalhe do texto com cautela. Como sempre, partiremos de uma tradução literal que produzimos especialmente para esta ocasião,[4] a qual já foi apresentada acima.

2 – O ACORDO ENTRE PAULO E JERUSALÉM

Antes de analisarmos o texto, nos damos conta de que o assunto de Paulo não se inicia propriamente no versículo 2.11. Na verdade, nós selecionamos uma porção limitada de texto dentre uma seção bem maior da carta. Essa delimitação aparentemente forçada fez-se necessária para que não nos alongássemos demais estudando em detalhes capítulos inteiros e escrevendo páginas sem fim. Selecionamos, então, uma sub-unidade que se encontra entre a narrativa do acordo feito entre Paulo e os apóstolos de Jerusalém (2.1-10) e uma aplicação feita à situação concreta dos gálatas (2.15-21). Entretanto, o relato da contenda entre Paulo e Pedro em Antioquia que é nosso texto principal (2.11-14), e não poderia ser estudado sem que tomássemos conhecimento do conteúdo precedente. Sendo assim, dedicaremos algumas linhas à tarefa de resumir o conteúdo de Gl 2.1-10.

Paulo contara que havia alguns anos, estivera em Jerusalém para discutir com os “principais” apóstolos a questão da sua pregação, considerada demasiadamente liberal e gentílica para muitos dos cristãos primitivos, que eram essencialmente judeus. Quer dizer que a polêmica entre o cristianismo judaico original e o cristianismo gentílico de Paulo não era coisa recente, já provocava controvérsias e motivou até esse suposto “concílio de Jerusalém”. Segundo Paulo, naquela ocasião os apóstolos da igreja “mãe” reconheceram a graça que Deus concedera a Paulo e não se opuseram à sua pregação aos gentios. (2.9). Então, de acordo com o relato paulino, nem mesmo as “colunas” da igreja que eram os apóstolos, judeus “praticantes” por assim dizer, e situados exatamente em Jerusalém, coração do judaísmo até o ano 70 d.C., opuseram-se à sua pregação. Ele diz que ninguém exigiu qualquer circuncisão de Tito, seu companheiro gentio, e que a única recomendação feita pelos apóstolos era que ele deveria ajudar os pobres das comunidades cristãs da Judéia (v. 10).

Tanto a autoridade apostólica do evangelho pregado por Paulo quanto a liberdade que ele deu aos cristãos da Galácia tinham, segundo esse relato, reconhecimento de todas as principais autoridades cristãs. Era uma estratégia interessante de Paulo, pois se algum judeu porventura tentasse questionar sua pregação por não ter ele conhecido Jesus pessoalmente, ele responderia dizendo que os companheiros de Jesus a quem todos respeitavam estavam do lado dele. Assim, está dito que quando Paulo fez nascer as primeiras da Galácia, não havia entre sua mensagem e a dos apóstolos de Jerusalém qualquer discordância, o que devia levar seus leitores a crer que qualquer mudança sugerida depois, é um desvio do evangelho original, é anátema (Gl 1.8-9).

Para não sermos displicentes, temos que mencionar que há outro relato desse mesmo “concílio de Jerusalém” em Atos dos Apóstolos capítulo 15, onde se diz que tal encontro foi marcado por causa da polêmica causada por pessoas da Judéia que em Antioquia pregavam a necessidade da circuncisão para todos os cristãos (At 15.1-3). Na versão de Atos o resultado do concílio é mais formal, é registrado numa carta, mas traz algumas exigências que Paulo não menciona em Gálatas (At 15.29). Em todo caso, os dois registros desse evento dão credibilidade ao fato, e indicam que até então Paulo estava convencendo os judeus a aceitarem as características próprias do cristianismo gentílico. Porém o problema entre as duas modalidades cristãs se agravou posteriormente, provando-nos que tal concílio fora um acordo feito entre apóstolos, que pela falta de unidade e institucionalização das múltiplas comunidades cristãs primitivas não pôde evitar novos atritos. É esse o tema da nossa perícope.

3 – O CHOQUE ENTRE TRÊS VERTENTES DO CRISTIANISMO PRIMITIVO

Depois do concílio de Jerusalém Paulo foi até Antioquia, a comunidade que patrocinou as viagens de Paulo de Barnabé ao mundo gentílico. Ali surge o conflito, pois Paulo vê a chegada de judeus conservadores de Jerusalém que parecem não conhecer o acordo previamente selado entre os apóstolos. Há, portanto, dois momentos no texto, um antes da chegada dos judeus, outro depois: “antes de vir alguns de Tiago [...] mas quando vieram...” (2.11). Isso é muito relevante aqui, pois a chegada dos judeus de Tiago causa uma mudança, uma quebra na unidade da comunidade, e é um momento com o qual os leitores da Galácia também deveriam se identificar.

Paulo não diz o que tais judeus fizeram ali, mas se irrita com uma incoerência no comportamento de Pedro que “... antes de vir alguns de Tiago com os gentios comia...”, mas que depois da chegada dos judeus de Jerusalém “... recuava e se separava temendo os da circuncisão” (2.11). O problema em questão é a comunhão de mesa, a eucaristía. Os judeus tradicionalmente não comiam com gentios por considerarem-nos imundos, mas depois de Cristo, isso mudou, e pelo menos para Paulo já não se poderia considerar impuro o que Deus purificou. Mas, ao menos no texto, Pedro deixou de comer com os gentios de Antioquia retornando ao preconceito.[5] Existia um desarranjo entre o acordo de Jerusalém e a atitude de Pedro em Antioquia?

Vamos aqui definir os personagens de nosso texto, não com o propósito de compreender as opiniões pessoais desses homens, afinal, só Paulo fala aqui e não sabemos até que ponto ele está sendo honesto com Pedro e Tiago. Nosso foco recairá no tipo de cristianismo que cada um desses nomes representa.

Primeiro, Paulo já foi definido. Embora seja judeu, prega um evangelho gentílico, em que a fé em Cristo deve ser suficiente para a salvação do homem. Paulo abdicara na prática da obediência à Lei de Moisés, embora por sua tradição nunca tenha abertamente negado sua validade ou sacralidade. C. J. den Heyer escreveu sobre isso da seguinte forma: “Paulo não deu o passo que, segundo Marcião, devia ter dado. Não defendeu a abolição da Torá. E certamente não poderia fazê-lo. Seu passado judaico tornava-lhe impossível seguir nessa direção”[6]

Tiago representa no texto não somente o cristianismo judaico, que procurava praticar a Lei integralmente além de crer em Jesus como o Messias já revelado.[7] Essa vertente, completamente oposta a Paulo, é também aquela com a qual o texto paulino identifica os “intrusos” que chegando à Galácia ensinavam-nos a guardar os mandamentos e a circuncidar-se. Como escreveu Joel A. Ferreira:

“Paulo vê e aplica para os gálatas a questão. É mais ou menos assim: ‘Gálatas, o que aconteceu em Antioquia está acontecendo entre vocês. Assim como lá intrusos ameaçaram a unidade da comunidade anioquena, esta mesma escola de espiões está destruindo a vida de vocês e o Evangelho de Jesus Cristo”[8]

Se o homem Tiago, que antes apertara a mão de Paulo em Jerusalém em sinal de aprovação a seu ministério aos gentios realmente agora se opunha abertamente a ele, não podemos afirmar. O que sabemos é que o nome de Tiago é, nesse texto, colocado como uma epítome para se referir ao judaísmo-cristão conservador.

Que os judeus da parte de Tiago são identificados com os judeus com os quais Paulo rivaliza ao longo da carta, não temos dúvida. Mas nosso texto, na verdade, traz também uma acusação contra o posicionamento de Cefas/Pedro, o que é bem mais difícil de definir. Sob a ótica de Paulo, Pedro era hipócrita, que era o mesmo que agir como um ator, que representa um papel diferente de si a fim de obter aplausos.[9] Ele tentava agradar aos homens e não a Deus (veja Gl 1.10). Na prática, Pedro se comportava como gentio entre os gentios, e como judeu entre os judeus.

Vamos definir o comportamento de Pedro de duas formas. Primeiro, seguindo a intuição de John Dominic Crossan, podemos supor que Pedro talvez não fosse necessariamente um hipócrita. Talvez ele concordasse com Paulo sobre a não necessidade de seguir a Lei para a salvação, e assim, vivia com boa consciência entre os gentios. Com a chegada dos judeus conservadores, Pedro passa a seguir normas dietéticas e de pureza com as quais estava habituado, numa atitude de simpatia e não por passar a crer na prescindibilidade delas de uma hora para outra.[10] Se esta intuição estiver correta, Pedro, o homem e não o personagem estilizado por Paulo, talvez tenha sido injustiçado quando foi enfrentado diante de todos. Ele seria apenas alguém buscando viver bem com todos, não se importando se os cristãos seguiam ou não seguiam as leis dietéticas judaicas.

Porém, falando mais do Pedro personagem, ele nos parece representar no texto paulino um papel fundamental. Ele é o gálata, que antes vivia em harmonia com o evangelho da liberdade pregado por Paulo e com os seus irmãos, mas que depois deixou-se influenciar quando na comunidade se apresentaram alguns judeus conservadores que diziam-se respaldados na autoridade de Jerusalém. Assim, em nossa opinião, embora seja Pedro quem no texto leva a repreensão, esta na verdade pretende atingir todos aqueles que nas comunidades cristãs da Galácia mudaram de comportamento por meio da influência perniciosa dos judeus conservadores. Paulo enfrenta Pedro abertamente na carta, o que é um aviso aos gálatas; ele não respeitou nem mesmo a suposta autoridade de Pedro, imaginem o que faria na presença dos gálatas.

Em resumo, temos três grupos que agora nos parecem claramente distintos: Primeiro, Paulo e os cristãos que com ele vivem o evangelho da liberdade; em segundo lugar, temos Tiago e os judeus conservadores da Torá, que na verdade são os judeus infiltrados na Galácia; e em terceiro lugar, estão Pedro e os gálatas, que vivem o dilema de ter de escolher entre Paulo e Tiago. A repreensão a Pedro, embora possa refletir um acontecimento histórico, é no texto também repreensão a esses gálatas gentios que se estavam se deixando judaizar. O resultado desse embate de Antioquia é um espelho do que ainda virá sobre a Galácia; haverá confrontos, separações, e gente que por querer agradar aos homens acaba por desagradar a Jesus Cristo.

4 – A QUEBRA DO VÍNCULO COM BARNABÉ

Agora vamos nos voltar para o último nome citado no texto de Gálatas, o de Barnabé. O texto diz no v. 13: “E também foram levados pela sua hipocrisia os demais judeus, tanto que também Barnabé foi levado pela hipocrisia deles”.

Barnabé estava entre aqueles que viviam como gentios, mas que, para ficar bem diante dos judeus da parte de Tiago, passaram a agir como os judeus quando estes estavam presentes. Paulo não o repreende, talvez pela amizade; havia em relação a ele mais sentimento do que em relação a Pedro. Eles haviam sido amigos, itinerantes, companheiros de viagens, e a ação de Barnabé, influenciada por Pedro, mais do que ira causou decepção em Paulo.

Em Atos 15.36-40 somos informados de que esses amigos foram separados devido a uma séria discórdia que tiveram em relação a João, chamado Marcos. Mas como sugere Michel Quesnel, a divergência fundamental talvez também esteja relacionada às questões da Lei, como a obrigatoriedade da circuncisão.[11] No texto, onde os nomes das pessoas mais representam vertentes do cristianismo primitivo do que personalidades, diríamos que Barnabé aderira ao modelo petrino, onde não se dá tanta importância às práticas religiosas que cada um considera importante, o que seria uma virtude se tal liberdade estivesse voltada para o bem comunitário, e não para o individual.

É necessário incluir aqui uma nota sobre a nossa tradução. Em sua acusação contra Pedro, Barnabé, e os outros que se deixam levar, o texto diz que não “postam-se retamente”. Essa é nossa tradução do verbo orthopodéo, que literalmente significa “ficar corretamente em pé”. [12] O interessante é que Paulo usa o verbo no tempo presente, ainda que estivesse narrando eventos do passado. Assim, entendemos que aqueles fatos eram passados, porém, a acusação permanece válida até o momento em que escrevia a carta aos gálatas. Barnabé, ao que tudo indica, estava bem com gentios ou com judeus, não exigiria circuncisão de gentios nem exigiria comer com pecadores aos judeus. Paulo, por outro lado, revoltado pela intromissão dos judeus da parte de Tiago, quer eliminar a Lei até mesmo dos círculos judaicos.

É, portanto, bem possível que a relação amigável entre Paulo e Barnabé tenha encontrado um fim nesta ocasião; e se eles permaneceram juntos, a separação relatada em Atos veio apenas para dar fim a um contínuo período de gradual distanciamento entre os antigos companheiros.

Agora devemos apenas fazer uma ressalva: Paulo não queria, por si mesmo, eliminar a Lei de Moisés e adotar somente o evangelho ainda oral e experiencial de Jesus Cristo. O que acontece em Gálatas é que ele ataca a Lei e os judeus por causa das circunstâncias. Vê nesta intromissão dos judeus conservadores um empecilho para a fé dos gentios e um regresso das comunidades da Galácia. Como salienta repetidas vezes C. J. den Heyer, a teologia de Paulo é contextual, ou seja, não age por princípios estabelecidos mas de acordo com situações práticas.[13] Ele é capaz de defender a Lei judaica com todas as forças caso esta é que seja vítima dos cristãos gentios, como realmente parece ter acontecido na comunidade de Roma.

5 – CONCLUSÕES E CONTEXTUALIZAÇÕES HERMENÊUTICAS

A leitura que propomos de Gálatas 2.11-14, nos faz ver com mais clareza não a história de Paulo, ou as características psicológicas de líderes da igreja cristã primitiva como Pedro e Tiago. Na verdade, o que aprendemos é que Paulo está mais preocupado com os prejuízos que a presença de judeus conservadores está causando às comunidades que ele deixara estabelecidas na região da Galácia, do que com seu passado e as opiniões pessoais de Pedro, Tiago e Barnabé. Quando dissemos que cada nome representava nesta carta paulina uma vertente do cristianismo primitivo, ora irmãs, ora rivais, revelamos o que há de mais valioso para que cheguemos a compreender o texto exegeticamente; mas tal leitura também pode nos servir hoje.

Paulo deixou transparecer em suas palavras que o cristianismo, como religião, nunca foi uma religião unificada, coesa, unânime... Antes, desde os primórdios haviam debates a respeito de doutrinas, que nunca os levaram a conclusões consensuais. Isso sim é um problema com o qual nós ainda temos de lidar, e aí vale considerar o texto em busca de direção:

Se tivéssemos que optar entre os três modelos de cristianismo neste texto representados, não escolheríamos Tiago, que quer impor suas leis religiosas e cultura a todos. Os judeus de Tiago, acreditando que assim estão ajudando, levam suas gravatas, suas canções e sua cultura a pessoas de fora. É assim que tornam o evangelho tão pesado que ninguém o pode suportar.

Pedro quer evitar as discussões, e comia com gentios e se purificava com os judeus, evitando pedir que qualquer um mude de comportamento. Até onde sabemos, Pedro não respondeu a Paulo com a agressividade com que foi atacado, e isso é um exemplo de passividade cristã valioso. Todavia, a passividade de Pedro em nome da paz nem sempre é melhor que o conflito; Pedro acabaria assistindo os judeus de Tiago impondo seu jugo sobre os gálatas, não lutaria por eles mas ficaria bem com os homens, uma atitude egoísta, desumana, ou hipócrita como diz Paulo.

Paulo é, ao menos nessa carta, liberal com os gentios, mas não estava disposto a fazer concessões aos judeus. Ele sabia que o desejo deles, ainda que bem intencionados, era impor regras aos gentios além da fé em Jesus Cristo. Assim, nome da liberdade religiosa dos gálatas, Paulo gera conflitos e dissensões; perde amigos se necessário, mas defende o que acredita ser o melhor para o próximo. Sua agressividade talvez seja exacerbada, mas é altruísta e ao nosso ver, mais legitimamente cristão.

Em resumo, os de Tiago querem ajudar, mas sua ajuda resulta em controle, exige submissão. Pedro é pacífico, amigo de todos, mas ficando em cima do muro acaba sendo conivente com a opressão. Paulo, que por mais que tenhamos evitado nos ganhou, é rude em seu comportamento, mas é quem luta pelo bem da humanidade com maior envolvimento. Isso não quer dizer que o cristianismo gentílico de Paulo seja melhor que o cristianismo judeu de Tiago, só quer dizer que quando o problema é religião, onde não se obtém consensos, é melhor buscar comunhão e liberdade do que impor a sua salvação ao outro.

BIBLIOGRAFIA

CROSSAN, John Dominic. O Nascimento do Cristianismo: O que Aconteceu nos Anos que se Seguiram à Execução de Jesus. São Paulo: Paulinas, 2004.

FERREIRA, Joel Antônio. Gálatas: A Epístola da Abertura de Fronteiras. São Paulo: Loyola, 2005.

HEYER, C. J. den. Paulo, um Homem de Dois Mundos. São Paulo: Paulus, 2009.

NESTLE, Eberhard; ALAND, Kurt. Novum Testamentum Graece. Stuttgart, Deutsche Bibelgesellschaft, 27a ed. 1993.

QUESNEL, Michel. Paulo e as Origens do Cristianismo. São Paulo: Paulinas, 2008.

RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2005.

THEISSEN, Gerd. O Novo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2007.



[1] Aqui, temos no texto grego o verbo synypekríthesan, o aoristo passivo de synypokrínomai. O verbo claramente descende do substantivo hypókrises (hipocrisia), que Paulo utiliza adiante no mesmo versículo. O sentido que o texto quer transmitir é difícil de traduzir; Pedro, por sua atitude, é quem conduz os outros judeus a agir segundo sua própria hipocrisia, motivo pelo qual modificamos o texto dessa forma. É verdade que assim como fizemos o versículo parece repetitivo, usando as mesmas palavras para se referir aos “demais judeus” e depois a Barnabé, todavia, cremos que seja esta a intenção, pois Barnabé é, no caso, um exemplo particular do mesmo evento que envolvia aos “demais judeus”.

[2] THEISSEN, G. O Novo Testamento. pp. 45-46.

[3] HEYER, C. J. den. Paulo, um Homem de Dois Mundos. p. 169.

[4] Nossa tradução literal foi produzida a partir do texto grego de: NESTLE, E.; ALAND, K. Novum Testamentum Graece.

[5] FERREIRA, J. A. Gálatas. p. 59.

[6] HEYER, C. J. den. Paulo, um Homem de Dois Mundos. p. 174.

[7] QUESNEL, M. Paulo e as Origens do Cristianismo. p. 30.

[8] FERREIRA, J. A. Gálatas. p. 62.

[9] FERREIRA, J. A. Gálatas. p. 60.

[10] CROSSAN, J. D. O Nascimento do Cristianismo. p. 503.

[11] QUESNEL, M. Paulo e as Origens do Cristianismo. p. 30.

[12] Cf. RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo Testamento, p. 337.

[13] HEYER, C. J. den. Paulo, um Homem de Dois Mundos. pp. 187-190.

2 comentários:

paulo fernandes disse...

Agradecia que me ajuda-se a esclarece esta duvida:estou certo ao deduzir que tiago repreendeu paulo ? mesmo a biblia nao dizendo literalmente repreensao ? paulo foi voluntariamente a jerusalem ao concilio que fala em atos 15 ? quem designou paulo e barnabé para se deslocarem a jerusalem ? quem eram os homens que desceram da judeia ?? atos 15:1 por todas estas questoes eu cheguei a conclusão que tiago repreendeu paulo apesar de mais tarde chegarem a acordo , se assim nao fosse porque teria paulo que cumprir um voto de purificaçao ?? estarei errado ?' agradecia um esclarecimento da sua aprte obrigado .

leandro gomes disse...

Excelente post