quinta-feira, 27 de maio de 2010

A MULHER QUE UNGIU JESUS - MATEUS 26.6-13

Convido-o a acompanhar-me no desafio de interpretar a Bíblia, desta vez, debruçando-nos sobre Mt 26.6-13. Trata-se daquele texto em que uma mulher derrama um caro perfume na cabeça de Jesus, passagem que possui no próprio Novo Testamento versões divergentes e que é por vezes usada para justificar a falta de comprometimento com a obra social, já que nele se lê Jesus dizendo que “os pobres sempre tendes convosco”.

A tarefa é longa, e por isso proponho que estudemos o texto passo a passo, aplicando-lhe calmamente alguns métodos de análise exegética que se mostrarão necessários. Assim, mais do que apresentar uma análise, desta vez vamos estudar exegese, e a cada postagem uma nova contribuição à interpretação será feita.

Nesta primeira parte, duas primeiras abordagens exegéticas já podem ser vistas. Primeiro, apresentarei o texto segundo minha própria tradução. Sempre é necessário utilizar-se de uma tradução literal dos textos bíblicos para que não fiquemos dependendo de versões de outrem, que por tantas vezes já são interpretações e nos afastam do sentido primário das Escrituras. Certamente isso requer anos de estudo de grego ou hebraico, mas pode-se começar estudando a Bíblia a partir de uma versão mais literal, como por exemplo, a do Novo Testamento Interlinear, da Sociedade Bíblica. Não há muitos pontos polêmicos em nossa tradução, mas ao longo do estudo comentaremos os pontos que forem relevantes com mais cuidado.

Em segundo lugar, notem que texto já está sub-dividido em três partes, ou seja, ao lê-lo já separei as partes que em minha opinião o compõem. A primeira é narrativa (vv. 6-7), introduz a cena com dados geográficos relevantes além de narrar a ação surpreendente da mulher; a segunda parte é mais dialogal, trazendo as palavras dos discípulos diante da atitude da mulher e a resposta de Jesus a eles (vv. 8-12); e finalmente temos a terceira parte que traz um surpreendente louvor à memória daquela mulher (v. 13).

Se você aceitar aprender um pouco mais de análise exegética, praticar comigo a interpretação da Bíblia descobrindo o que esse texto tem a nos dizer, guarde que neste primeiro momento nós traduzimos o texto e encontramos sub-divisões nele, isto é, voltamo-nos para o texto grego e em seguida fizemos as primeiras observações relativas à forma do texto. Esses passos introdutórios são fundamentais. Depois, leia atentamente o texto (mais de uma vez se possível), avalie quão válidas foram minhas primeiras observações e comece a anotar suas próprias impressões. Faça comentários relativos a essa primeira abordagem do texto para você ou aqui no blog, contribuindo com esse estudo que não pretende ser individual; e acompanhe periodicamente cada parte de nosso “curso”, acessando o blog e dedicando-se a cada postagem.

Finalmente, eis o texto de Mateus 26.6-13, nosso objeto de análise:

6 Ora, encontrando-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, 7 aproximou-se a ele uma mulher tendo um vaso de alabastro com perfume valioso e derramou sobre a cabeça dele à mesa.

8 E vendo os discípulos indignaram-se dizendo: “Para que este desperdício? 9 Pois poder-se-ia vendê-lo por muito e ser dado aos pobres”. 10 Porém, Jesus conhecendo, disse-lhes: “Por que causais aborrecimentos à mulher, pois bom trabalho fez para mim? 11 Pois sempre tendes os pobres convosco, mas a mim nem sempre tendes. 12 Pois lançando este perfume sobre o meu corpo, para o meu sepultamento fez.

13 Em verdade vos digo: onde for pregado este evangelho em todo o mundo será falado também o que esta fez para sua lembrança”

5 comentários:

claudio disse...

Estou acompanhando o estudo,e estou ancioso para a proxima parte.

Toninho e Dulce disse...

Anderson, gostamos da sua iniciativa em estudar textos da biblia. Achamos interessante este estudo, bem como, as suas observações. Estaremos acompanhando.
No mundo em que estamos onde se valoriza mais as coisas do que pessoas, este texto vem bem a "calhar" com a realidade que vivemos. Toninho-Dulce

Anderson de Oliveira Lima disse...

Amigos, agradeço os comentários e fico feliz por se disporem a acompanhar o estudo. Sintam-se livres para perguntar, discordar e comentar, pois é assim que poderemos tornar esse espaço mais dinâmico e parecido com uma aula de verdade.

Como estamos no começo, aproveitemos para divulgar o estudo. Ao final, prometo enviar a análise completa por e-mail a todos os que quiserem.

Anônimo disse...

Caro Anderson, na verdade todos cristãos deveriam realmente investir no conhecimento e estudo das Escrituras para não serem ludibriados por interpretações distorcidas ou adaptadas para suprir necessidades locais ou pessoais.
No texto em referencia, inclusive já ministrei sobre ele, nos apresenta uma situação digna do principio da Publicidade, ou do principio do registro.
Não vou me ater a questão histórica, uma vez que esta área ainda não é do meu total domínio mas quero participar com algumas observaçoes.
Historiadores sustentam que o perfume era uma especiaria da India com um valor financeiro muito alto.
Desta forma dá para afirmar que este poderia ter sido guardado para ser usado como uma remuneraçao, como um aposentadoria ou previdencia privada
para o sustentar a mulher por um bom tempo.
Quero fazer um link com Lucas 16.10 onde a administração das riquezas injustas tem uma influência na revelação das riquezas espirituais. (liberalidade espontânea e não pressionada). Incrível esta fala de Jesus, onde faz uma associação entre Riquezas Injustas (dinheiro) e Riquezas Espirituais.
Voltando ao texto percebo outra informação importante onde Jesus não cuidava da questão financeira, tinha um tesoureiro responsável por esta área. Percebemos isto na fala do tesoureiro sobre o uso inapropriado, na cabeça dele é óbvio, onde sugeri em transformar o "perfume" em dinheiro e distribuir aos pobres.
Aprendo i que os Pastores que acumulam a funçao de Pastor/Administrador ficará sempre dividido entre "almas" e "cifras".
continua...
E.CAló

Anderson de Oliveira Lima disse...

Enoque, agradeço pelas contribuições.

Não vou comentar todas com a profundidade que merecem porque ao longo do estudo alguns desses pontos voltarão à pauta. Mas devo dizer que a idéia de que Jesus tinha um tesoureiro me parece polêmica. Acontece que essa distribuição de funções reflete uma igreja institucionalizada, própria dos cristãos que escreveram o evangelho e não de Jesus em si. Também, em Mateus essa função não é atribuída a ninguém, e por isso não dá pra usar esse conceito em sua análise. Há aqui um problema metodológico: Nós não podemos partir do princípio de que os evangelhos se harmonizam como se fossem todos de um só autor (o Espírito). Isso só geraria problemas. Tente ficar com Mateus, e mais adiante mostrarei como comprar os evangelhos de maneira crítica.

Obrigado pela contribuição sobre o perfume, pesquisa que não tinha feito.

Anderson.