quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AS LIÇÕES DE ANANIAS E SAFIRA (Parte Final)

Para terminar a série de postagens sobre Atos 5.1-11, quero resumir algumas das conclusões e fazer sugestões de aplicação prática, ou seja, quero oferecer ao leitor alguns conceitos ensinados no texto que podem servir de inspiração para a igreja de hoje, assim como alertar sobre a necessidade de enterrar outros no passado.

1. O autor de Atos quer legitimar um projeto igualitário em sua comunidade através da descrição idealizada da história de Jesus e da igreja primitiva. Mas não se pode garantir que os simpatizantes da comunidade de Lucas eram obrigados a abdicar de suas posses em favor dos outros, mas pode-se dizer que esse era o comportamento esperado. Hoje a estratégia de viver com comunhão plena de bens é inviável, mas continua a responsabilidade de se fazer algo coletivamente em favor do igualitarismo. Se há algo que a igreja não deve aceitar, é que em seu meio alguns tenham em demasia enquanto aceitam passivamente que outros tenham necessidade. Faça o que fizer, o alvo da igreja é pôr fim à miséria entre os seus membros.

2. O projeto de Lucas de construir uma comunidade igualitária provavelmente já estava em andamento, porém, ele funcionava com imperfeições. Além de ainda não contar com o apoio de todos, havia internamente o medo de que tal projeto favorecesse pessoas desonestas que queriam apenas participar dos benefícios da comunidade sem contribuir de maneira equivalente. O pecado de Ananias foi punido com rigor, deixando a mensagem de Deus é o protetor da igreja, e não deixa que ninguém aproveite-se da igreja dessa forma. A desonestidade de alguns não é motivo para deixar de contribuir com os projetos sociais da igreja.

3. A narrativa apresenta um Deus violento, que mata o casal sem chance para arrependimentos. Esse Deus assassino é contrário a outras descrições de um Deus de amor e misericórdia que o Novo Testamento nos transmite, motivo pelo qual esse ponto da narrativa deve ser visto como um exagero do autor e não como um fato literal. É um ponto que não devemos destacar para a igreja.

4. Porém, a violência divina pode ser lida como cuidado. O autor não deixa margem para que seu texto fosse usado para legitimar atos violentos. A ameaça é a de que Deus, sabendo de todas as coisas, puniria severamente e pessoalmente todos os que tentassem fraudar o sistema igualitário da comunidade. Pedro e a igreja nunca são autorizados a punir ninguém.

Um comentário:

keiker disse...

Nossa desse texto saiu tudo isso, daria uma otima homilia, em sua voz a gloria desceria srsrsr.