quarta-feira, 7 de março de 2012

A LEI CONTRA O HOMICÍDIO: MATEUS 5.21-26

Fazendo uma leitura breve de cada uma dessas discussões legais, temos entre os versículos 21 e 26 a renovação ou reelaboração da lei contra o homicídio. Em resumo, a Lei do Antigo Testamento já proibia o homicídio, mas Mateus afirma que todo aquele que se irar contra seu irmão, ou ofendê-lo, será acusado como aquele que mata (v. 22). Parece claro que a aplicabilidade pretendida para este novo mandamento é no interior do próprio grupo de discípulos mateanos (v. 23-26); temos uma nova tentativa de coibir as discórdias, contendas ou divisões no interior de um grupo que quer ser formados por “irmãos”. Este novo e rigoroso mandamento, além de proteger o grupo em seu próprio convívio social, pelo menos em tese, é o tipo de lei que pretende fazer este grupo de leitores melhores que os fariseus e escribas. Aqueles continuariam seguindo a lei contra o homicídio, mas não igualariam a justiça do grupo que nem mesmo admitia ofensas ou ira. Com isso, queremos mostrar que em cada novo caso colocado em pauta nesta seção, devemos atentar tanto para seus propósitos sócio-comunitários, quanto para seu papel no estabelecimento de diferenças entre os discípulos de Mateus e os fariseus e escribas. É até possível que o segundo alvo fosse o mais relevante.

A NOVA LEI DE JESUS PARA OS DISCÍPULOS: MATEUS 5.17-20

Nossa leitura contínua do Evangelho de Mateus atinge agora um grande e importante conjunto literário próprio deste evangelho, em que Jesus revisa a Lei judaica radicalizando o sentido dos mandamentos em busca de uma conduta perfeita; ou que pelo menos supere a prática religiosa dos fariseus (5.17-48). Para identificar melhor os limites deste conjunto, podemos atentar para sua evidente abertura, em que Jesus explica que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (v. 17.20).

Ela afirma com muito cuidado que Jesus não está contra a Lei, mas que a aceita plenamente (v. 17-19). Esta ressalva é importante, pois na sequência, veremos Jesus oferecendo releituras daquelas antigas tradições religiosas, releituras que certamente seriam suficientes para atrair sobre o grupo que as defendesse o estigma de seita herética. Apesar das negações que fará à Lei, quer o evangelho sustentar-se no judaísmo de seus dias; ele quer implantar novidades, fazer revoluções, mas isso internamente, consertando o que em sua opinião estava errado, e não inaugurando um novo momento ou religião.

Outro ponto digno de nota é que esta introdução à discussão legal seguinte coloca a “Lei” como campo de batalha para o conflito entre os “discípulos” e os “fariseus e escribas” (v. 20). Os líderes religiosos que eram considerados influentes serão rejeitados por meio dessa argumentação; a “justiça” deles será reprovada, sua religiosidade deslegitimada. Portanto, mais do que fazer exegese, o Evangelho de Mateus está combatendo rivais através do debate religioso-legal.

A partir daí a estrutura dada ao texto pode ser facilmente observada. Primeiro, temos que notar as de uma espécie de refrão, que diz: “Ouvistes que foi dito... Porém eu vos digo...”. Estas frases são empregada de maneiras quase idênticas em cada subunidade do texto, e demarcam as atualizações que são feitas aos mandamentos sobre homicídio, adultério, divórcio, juramentos, vingança e amor aos inimigos. Temos aí um conjunto de textos que formam uma unidade, e que por isso mesmo não podem ser divididos em qualquer delimitação.

sexta-feira, 2 de março de 2012

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 6

Aprendi com Milton Schwantes: O ecumenismo também é uma forma de amar o próximo; dizer que o deus do outro é o demônio é um jeito errado de se preocupar com sua salvação.

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 5

Aprendi com Milton Schwantes: Quão valiosas são as conversas entre iguais (professor e alunos) nas salas de aula!

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 4

Aprendi com Milton Schwantes: Se você se considera abençoado pelas coisas que aprendeu, deveria também pensar em formas de compartilhar seu conhecimento com os que não podem pagar muito por ele.

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 3

Aprendi com Milton Schwantes: A profecia bíblica não se ocupa do futuro pessoal de ninguém, mas com as injustiças sistêmicas, com o direitos dos fracos, e sonha com um futuro melhor para o próprio país.

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 2

Aprendi com Milton Schwantes: A Universidade é para quem quer o conhecimento. Alguns "bestas" (como ele dizia) acham que bastam os diplomas, e se julgam muito espertos.

APRENDI COM MILTON SCHWANTES 1

Aprendi com Milton Schwantes: a "Palavra de Deus" (não estou falando da Bíblia) nasce de forma comunitária, entre nós, na comunhão dos homens, sem precisar de "super-apóstolos" especialmente inspirados que se acham porta-vozes exclusivos de Deus.

quinta-feira, 1 de março de 2012

MILTON SCHWANTES

NOTA: FALECIMENTO DE MILTON SCHWANTES


Hoje nos deixou o querido professor Milton Schwantes. É um dia de tristeza, que nos faz lembrar as muitas mensagens de esperança que ele nos deixou.

Milton Schwantes foi a pessoa mais impactante que conheci, cuja personalidade me marcou de maneira definitiva. Tive o privilégio de ser seu aluno na Universidade Metodista de São Paulo entre 2007 a 2011, e por conta disso o simples ato de ler a Bíblia se tonrou, inconscientemente, um modo de lembrar de Milton Schwantes. Sem dúvida, sua presença viverá comigo em tudo o que eu escrever e em cada aula que ministrar. Além disso, seu constante bom humor, seu modo de respeitar o próximo, seu amor e dedicação ao trabalho, sua contrária iniciativa de publicar livros a preços populares, e a maneira como atravessou os últimos anos de limitações físicas, são lições que jamais esqueceremos.

Obrigado professor Milton.